Governo reduz verbas. Apenas um em cada dez cursos de Arquitetura e Urbanismo existente hoje no Brasil é custeado com recurso público

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E a tendência é que o interesse estatal pelo estudo e por pesquisas relacionadas ao planejamento das cidades – o que poderia ser visto como ferramenta para redução de desigualdades e até da violência – siga a correnteza da educação nacional, que enfrenta cortes superiores a 30% no governo Bolsonaro.

O recente anúncio de redução de repasses federais a universidades é um dos principais temores dos dirigentes que estão à frente das instituições públicas de pesquisa e graduação em Arquitetura e Urbanismo. “O que o governo está fazendo só vem trazer um atraso para o país.

As universidades, principalmente as públicas, são pioneiras nas pesquisas. É nas universidades públicas que vemos o Brasil se desenvolvendo e progredindo”, destaca o presidente da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo (ABEA), João Carlos Correia. “Tudo isso é uma lástima.

Não se pode tratar educação como se fosse mercado. Reduções podem ser propostas, mas baseadas em fatores objetivos, produtividade acadêmica e relevância social”, afirmou o arquiteto e urbanista e conselheiro da ABEA Gogliardo Maragno.

Quem está vivendo de perto essa realidade alerta que o quadro é grave. Presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Nivaldo de Andrade Júnior, lamenta vivenciar retrocesso desses moldes.

Segundo ele, pesquisas essenciais como a desenvolvida sobre a transmissão do Zika Vírus, em projeto que integra saúde e saneamento básico, tiveram origem em projetos das universidades como a UFBA, UnB e Universidade Federal Fluminense (UFF), taxadas como “ameaça” e balbúrdia. Estão em risco, alerta ele, bolsas de pesquisa e até o custeio direto dos cursos de graduação.

“O que estamos assistindo é o desmonte da universidade pública gratuita e de qualidade”. E garante: o movimento trará um impacto imenso no ensino de Arquitetura, uma bandeira antiga das entidades de classe.

“Cortes já aconteceram e isso é sempre negativo. Mas, agora, temos um que vem por questões ideológicas em retaliação a ações adotadas pelas universidades em defesa da democracia”, desabafa.

A preocupação também está na pauta de debates da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA). Segundo o presidente da FNA, Cicero Alvarez, o desmonte do sistema público de ensino de Arquitetura e Urbanismo obstrui a reflexão sobre a cidade.

“O que vemos é um movimento nefasto e muito perigoso. Os profissionais devem compreender o que está por trás de todo esse movimento e lutar pelo direito de todos à educação e à cidade”.

Frente ao cenário que se alastra no país, o professor da Universidade Federal de Goiás o arquiteto e urbanista Edinardo Lucas acredita que o Brasil está vivendo vários golpes no que tange aos direitos dos cidadãos em relação às cidades.

“Se não bastasse o golpe nos sistemas de gestão democrática das cidades, com extinção dos conselhos e da possibilidade de participação da população no planejamento urbano, agora, há risco em relação à pesquisa nessa área”, pontua.

O temor, alerta ele, é que os cortes atinjam pesquisas importantes como nas áreas de mobilidade e saneamento e que buscam cidades mais dignas e com novas tecnologias em habitação.

Contato:
FNA – Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas
(51) 3024-0626 / (61) 3347-8889
http://www.fna.org.br/