O Laboratório de Estudos em Habitação (LEHAB/UFC) promove o lançamento do livro “Arquitetura de grife na cidade contemporânea: tudo igual, mas diferente”, do professor Márcio Moraes Valença, vinculado à UFRN e pesquisador do INCT Observatório das Metrópoles

Arquitetura de grife

O livro resgata o modelo de intervenção urbana dominante nas últimas décadas do século XX, denominado por David Harvey como “empreendedorismo urbano”, e que ainda impera como fórmula de intervenção. Através de significativa documentação iconográfica, o autor analisa os casos de Bilbao, Kuala Lumpur, Hong Kong e Londres, para mostrar como se deu a continuidade das intervenções iniciais do city marketing no contexto internacional, evidenciando o caráter rentista desse processo, os danos sociais, e a geração de mais espaços de consumo. A obra contribui também para a reflexão sobre este modelo no contexto das cidades brasileiras, onde a fórmula aplicada é a mesma, mas suas implicações bem distintas.

O lançamento do livro “Arquitetura de grife na cidade contemporânea: tudo igual, mas diferente” foi realizado pelo LEHAB/UFC em parceria com o Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo + Design, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará. O evento aconteceu no dia 3 de julho de 2017 em Fortaleza.

O LEHAB/UFC integra a Rede Nacional INCT Observatório das Metrópoles por meio do projeto “Planejamento urbano e direitos humanos no Brasil: implementação do direito à moradia e à cidade”, com patrocínio da Fundação Ford. Coordenado pelo profº Renato Pequeno (UFC), a equipe do LEHAB tem atuado, nos últimos anos, na região metropolitana de Fortaleza com foco no debate e defesa do direito à cidade, produzindo conhecimento científico, formando novos pesquisadores e tecendo uma articulação para fora dos muros da universidade, em diálogo constante com movimentos sociais, organizações da sociedade civil, coletivos e grupos da luta urbana.

O livro “Arquitetura de grife na cidade contemporânea” busca mostrar, a partir de uma significativa documentação iconográfica dos casos de Bilbao, Kuala Lumpur, Hong Kong e Londres, que as transformações urbanas iniciadas através de marcos arquitetônicos não se limitam aos edifícios singulares, mas irão necessitar de renovações constantes para se manter competitivas e interessantes turística e economicamente. O livro defende a tese do conjunto de elementos necessários para garantir a manutenção do marketing urbano, que vai se configurar pelo novo skyline, pelo uso concomitante dos edifícios contemporâneos e históricos, pelos atributos da própria cidade (como natureza, relevo, culinária, etc), aliado às intervenções de mobilidade, segurança, limpeza e animação urbana, evidenciando que os ícones da arquitetura não trabalham sozinhos, mas integrados a uma estrutura urbana que busca qualificar todas as dimensões do espaço do consumo.

Segundo Simone Gatti, que assina a resenha sobre livro, no Brasil os projetos urbanos têm se pautado na mesma lógica do marketing urbano e do planejamento estratégico tão criticado no início do século 21. O Porto Maravilha é o seu maior exemplo: “base do cenário dos jogos olímpicos do projeto Rio 2016, tem como principais referências projetos de uso cultural projetados por arquitetos internacionais, como o Museu do Amanhã do arquiteto espanhol Santiago Calatrava sobre a Baía de Guanabara, âncora cultural do projeto de revitalização da frente marítima do porto carioca. Ou seja, o modelo anacrônico dos grandes projetos midiáticos, que têm o uso da cultura, o nome de grandes arquitetos e projetos de grande escala como seus principais norteadores ainda se faz presente na produção urbana, sobretudo quando aliada aos grandes eventos”, aponta a pesquisadora.

Fonte: Observatório das Metrópoles

Serviço:
Arquitetura de grife na cidade contemporânea
Márcio Moraes Valença
160 páginas
Editora Mauad
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